“Eu defino o meu estilo como Rap Conciente pelas mensagens que carrega e contém”
O “Planeta Rap LuSo” foi até o velho continente, em Barcelona na Espanha para entrevistar um dos nomes do “Cenário Hip Hop Guineano”, Mario Blass, que através de sua lirica vem entoando hinos sobre a vida, questões sociais e reflexões pessoais. Nessa entrevista, o rapper nos falou das suas inspirações, início de carreira e também um pouco sobre o Rap em seu país de origem “Guiné Equatorial”.
Além de ser rapper, o que você prática e o que você gosta de fazer?
Além do rap, eu gosto de basquete, mas o esporte atual que eu pratico é Muay Thay (Thai Boxing).
Conte nos um pouco sobre sua carreira. Como e quando começou a escrever os seus primeiros versos até hoje.
Comecei em 2006, mas muitas das músicas não eram minhas, eram de Tego Calderón, um artistas que eu gostava. Escrevia também as minhas próprias músicas e ás gravavas e na verdade até hoje ainda tenho algumas delas, mas descobri o rap de verdade através de um primo meu, foi ele que me guiou ao caminho do rap, mas somente em 2015 comecei a levar mesmo a sério e até hoje não parei.
Por que você escolheu o nome artístico Mario Blass?
Anteriormente me chamavam de Tego Mario, por ser fã de Tego Calderón, más quando comecei a me dedicar mais a minha carreira no rap, decidi que eu deveria ter um nome que me representasse e não um nome de um outro artistista popular. Na verdade meu nome real é Blas Mario MBA, mas eu decidi mudar a ordem do meu nome porque achei melhor artisticamente; Em “Mario Blass” eu adicionei mais uma letra “S” a Blas, e assim ficou o meu nome artístico Mario Blass.
Como você define seu estilo e que tipo de mensagem tenta passar às pessoas em suas músicas?
Eu defino o meu estilo como Rap de Intervenção Social ou Rap Conciente pelas mensagens que carrega e contém. Oque eu procuro passar nas minhas músicas é conscientizar as pessoas e o mundo, meu país principalmente porque é uma ditadura. Tento aumentar a conscientização e abrir os olhos das pessoas transmitindo a elas uma boa mensagem, ajudar as pessoas é o meu objetivo na música, já que o mundo piora a cada dia.
Quais artistas você tem como referência do Cenário Hip Hop e quais são suas influências?
Os artistas que tenho como referência são artistas que possivelmente muitas pessoas não conhecem ou seguem, são artistas cubanos como; Adenean, Squad e Armed Hand, mas um dos primeiros artistas que me influenciou, foi meu primo que mencionei anteriormente “Ifron Smiky”. Com o tempo conheci outros artistas que me influenciam, gosto muito do Rap Cubano porque a realidade de Cuba é muito parecida com a da Guiné Equatorial, em relação a ditadura.
Como é o Cenário Hip Hop na Guiné Equatorial?
O cenário hip hop e a música guineana no geral é muito doloroso, digo do meu ponto de vista, há muito pouco que faz um rap real aqui, 90% faz lixo do rap com temas relacionados a carros, dinheiro e ostentação. Eu gosto do rap verdadeiro, mesmo o rap estando com está imagem muito ruim na Guiné Equatorial, ainda há um pouco de nós que tentam transmitir a boa mensagem e aqui continuamos.
O que você acha que está faltando ou pode ser adicionado ao Rap Guineano?
Eu vou ser um pouco dramático, para adicionar algo positivo no Rap Guineano deve ser eliminado a música de merda estrangeira, quero dizer o rap que destrói a juventude. A mensagem que é transmitida deve ser levada mais a sério.
Você já colaborou com músicos/bandas estrangeiras?
Os artistas estrangeiros com quem tenho colaborado são apenas dois artistas, o primeiro chama-se Jimmy Bones (Nigéria), o segundo é a Melodíe Beba (Costa do Marfim).
Conheço muitos cantores de língua portuguesa, mas os que conheço são apenas cantores do Zouk ou Kizomba, o único rapper que conheço é o Helio Batalha (Cabo Verde), porque colaborou com um rapper do meu país.
A partir de 2014, a Guiné Equatorial tornou-se um país de língua portuguesa, será que no futuro podemos ouvi-lo cantando com algum rapper lusófono?
Será possível, no rap não existe idiomas, o rap é amizade e união, colaborações estrangeiras são necessárias para expandir ambos os campos ou países, eu teria o prazer de colaborar com artistas de língua portuguesa.
Quais são os próximos procjetos?
Os procjetos são de músicas com vídeos e investir mais no meu trabalho, quero ir mais longe com o rap, os projetos que tenho, são muitos... (rsss).




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